Meio milhão de passos do cultivo depois e com muitas borboletas a dourar o caminho, encontra esta cujas cores fogosas iluminavam o final de um dia especial.
Após dezenas de tentativas de capturar as suas cores e essência utilizando a panóplia de recursos da máquina fotográfica, a rapidez e agilidade do fotógrafo, a multiplicidade e velocidade oferecidas pelas funcionalidades da máquina de serviço, a paciência de tentar encontrar o momento certo... estas eram frustradas uma após outra. Aos olhos o encanto era oferecido, até exibido em paragens como que feitas para posar e mostrar a luxúria do seu deslumbrante manancial de encanto. Mas mal fosse mexido um músculo por ele para fazer algo mais que apreciar, esvoaçava, impedindo o sucesso da ventura de captura.
Essa para ele era tão fácil de vencer que podendo explicar-lhe, seria fácil ajudar. Mas não podia porque a borboleta não compreendia.
Abandonado o egoísmo e alcançada a empatia, arrumam-se os instrumentos de fotografia planeando como tocar-lhe sem magoar, engenhosamente envolvendo-a sem lhe prender e deixando espaço para que se solte, querendo, enquanto o plano dá lugar à acção de a libertar.
Após alguma tensão e várias tentativas pedindo até que confiasse, resistindo à tentação de a agarrar e provavelmente magoar, ela lá pousou na mão e vagarosamente seguimos rumo à liberdade.
Passados três passos já tinha corrido bem.
A borboleta não ouviu, mas sentiu e dali mais não saiu.
Ele seguiu e após três metros, uma mulher deveras simpática levanta-se e boquiaberta exclama: "Que raro! Lindo."
Continuaram a caminhar.
Ele pensava que depois de lhe dar ar, saberia que era o momento de voar.
Mas não voou e por ali foi ficando, calmamente usando a mão feita seu tapete voador.
Agora era ele que dizia:
"Lindo!"
Conversaram sobre sentimentos verdadeiros a partir da confiança que ela lhe deu, as etapas importantes e os desafios associados para ele durante uns minutos ...

Por esta altura ele já lhe pedia que abrisse as suas asas e lhe mostrasse aquelas cores que a ele capturaram a atenção, antevendo a breve chegada dos caminhos da civilização que com carros e barulho não permitiriam certamente que a borboleta por ali continuasse.
Ela a isso não acedia de maneira nenhuma mesmo com a mão a propor uma dança de equilíbrios para que se usasse das suas asas, mas por ali se ficava, tranquila na palma da mão que a segurava e tão vulnerável quanto provavelmente nunca teria estado na sua existência de borboleta.
Tinham de vencer uma estrada.
O trânsito e mais uma centena de metros até chegar ao destino por ele escolhido para que o sonho da borboleta continuasse a ser vivido já que ela lhe tinha conferido essa missão.
Nesse caminho após a surpresa dele em ela não fugir e a tranquilidade associada à bela borboleta manter-se por perto, esta foi transmitindo na sua vez estar ali para elogiar a verdade dos sentimentos, abrir as portas das mais belas obras-primas , assegurar que a confiança dada de verdade é agradecida com a retribuição adequada só quando vale a pena e que tudo correria bem, daí em diante porque era assim que tinha de ser.
Momentaneamente ele parou de segurar a máquina fotográfica e num ápice, como que sabendo escolher o momento mais uma vez, a borboleta abriu as suas asas de novo, num espectáculo de chamas frescas cor de laranja, sarapintadas por avelãs e rasgos castanhos a articular como que um leque que estruturava aquelas asas "enormes" de rebordo escuro.
Foi aqui que nesse momento que ela voou e ele seguiu.
Curioso momento para uma história... pensava ele... a seguir.





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