quinta-feira, 26 de março de 2015

Incondicional condição



Se um dia fores minha para toda a nossa vida
Serei, mais que teu, teu património,
Arcanjo alado defensor de qualquer demónio
que te aflija, em braços que sem ordenares
Comandarás por direito enquanto te apertam no peito
Que marcará firme o ritmo que embalará o teu em qualquer noite tranquila.
O mesmo ritmo que desenfreado por ti, te fará voar
Conferindo assim significado ao chamado de alado.

Vais reclamar e vais ganhar, vais-me enlouquecer e vais perder,
Vais comigo aprender o conceito de matrimónio,
Sem rosas no mar salgado destinado a nos temperar pois alimento seremos,
Famintos um do outro em fome incessante a matar.
Tudo isso e o que mais vier, sob condição incondicional de que entre nós dois,
Sejas a última a morrer, já que o teu fôlego derradeiro,
Não partindo eu antes, será da minha morte o primeiro.

Se fosses minha por um ano,
maiores que as de anos iguais
tal ano teria (pois) quatro estações banais
mas ainda assim mais belas que as demais,
tão cheias de si e de tudo o que nelas é
que transbordantes sobrariam nossas emoções fenomenais
reveladas primeiro num simples beijo entregue ao teu nariz gelado
num passeio de Inverno onde carregados de agasalhos pesados
protegemos corpos ansiosos por um fogo que nos deixe suados.

O semblante do teu olhar diante da Primavera radiante,
Vencida nossa espera do primeiro dia a ver o mar
Com a brisa acariciando o corpo que escolhes de novo esconder
Debaixo de vestido ou saia que farei por tirar daí… dessa praia
Connosco inflamados pelo astro maior
Que trocará o que nos dá de graça pela que em nós é toda tua
E com ela fará mais belas por conta dele,
mil delas ou como mil delas, apenas uma.
Flor ou cria será, mulher (ou homem) bronzeará
do par formado pelo meu amor e tua beleza,
levando-nos pelos ventos e mares, como sua divinal proeza.

No Verão… bem… no Verão seremos tão que te parecerei não ser são
sem demência, mas por apaixonada insistência
De mandos incandescentes de desejos prementes, ardentes,
Como bons dias dados em dias assim, quentes e contigo ao pé de mim.

No Verão não faremos poesia, mas sim magia,
vibrantes constantes da matemática,
Cara e coroa da numismática, 
pegados até aos confins da biologia,
Despreocupados com as temáticas que virão em catadupa
Inspiradas pelas horas passadas dia após dia,
Tornando inesquecíveis os lugares, frutuosos nossos pomares,
Cheios de ouro os lagares e tudo o novo a descobrir.

No Outono virá chuva e uva que comemos e beberemos,
enroscados a ouvir a primeira, misturados um no outro com o vinho
Que por tua causa farei com que se sinta sozinho,
Deixado com o som dos blues
Que tocam enquanto teu corpo jaz 
algures debaixo do que o meu faz.

Com ele, pronúncio de fim, enquanto o ano é desalento
Porque se fores minha por tal montante de tempo,
com o cair das folhas virá tristeza, feita melancólica rudeza
de ter antever o tempo que vem.

Mas do primeiro dia ao minuto final e talvez até para sempre,
amanhã teu serei, sempre um pouco como tu sempre serás minha.
Prontos para cindir a bem o que de outro modo é sem sentido,
Ou quiçá tomar partido de esquecer partir e esperar par'assistir,
Enregelados de novo nos nossos agasalhos pesados ao florir da vida que com novo ano há-de vir.
Sempre em frente que é o Caminho, incondicionalmente condicionados
pela condição de termos sido enamorados.

Se fosses minha por uma estação, pegava-te ao de leve na mão
fazia-te segredo, meu prazer egoísta, deleite surrealista
De fazer do Inverno Verão, do Outono Primavera e de fazer num dia magia
Multiplicando os beijos e paixão, sentidos e alegria, sabores, fervores e fruição
Montanhas de sim e minúsculos grãos de não,
tudo nosso, tudo o que vejo,
tudo que sou, tudo o que posso.

Se fosses minha por um mês, tudo o que vem de montante e virá a jusante,
Se transformará em azáfama organizada
do que quero de ti, dou de mim e se faz com tempo.
estarei louco por ti, nem muito nem pouco.  

Volto ao tempo organizado por osso d’ofício,
Nesse mês em que serias minha, 
será para te ouvir, conhecer e carinhosamente antever
a hora do próximo dia de te ter.
A cada possibilidade, um desdobrar do que sem te dizer,
será sondando os ecos da tua intimidade.

Outubro ou Dezembro… Janeiro ou Março…
Maio ou Agosto… talvez mesmo Julho, sei lá.
O que sei é que em Novembro não
e em Fevereiro então… fora de questão.
Pois desse mês só, desse mês em que fosses minha,
a condição única seria ele ter nem menos um só dia…

Nesta cadência com que te digo bomdia
Chego ao momento em que diria
Se fosses minha por um dia,
Seria um dia especial, tipo natal, sem igual.
Tinha era mesmo de ter véspera, como o tal,
para poder ser em qualquer dia, quando se quiser,
Exactamente assim, diz quem te quer.

Véspera para pensar no amanhã porque sem ele, ideia vã, nada sã
Viral que corrói o que até sendo sem o compromisso do depois, 
pode ser tão mais e tão melhor a dois.
Vai por mim quando te amo dizendo que não me meto nisso, 
não te tocando com um só dedo, incondicionalmente sem medo
Porque a incondicional condição de não estragar
assim obriga a não matar o tempo que vem amanhã,
para que na manhã seguinte sejas tão só a radiante detentora de ti mais bela…
eu de mim maior e ambos sem dono, de nós senhores-mor.

Se fosses minha por um só dia, sem te saber ou advinhar,
não te quereria estranha depois, 
confundindo teu valor com entranha
ou meu clamor com patranha.
Paixão, volúpia e uma dança que rodopia solta e a granel …
Tumulto cheio de ânsias por  tudo que serias num só dia.

No fim tomaria a tua mão, para te dizer o que fosse no coração
E saberias tudo, na hora, acaso dissesse eu nada
porque nesse silêncio demorado, 
já só te penso minha amanhã.

Se fosses minha por uma hora… que fosse agora!

Se fosses minha por um momento, ia atrás desse pensamento...

sábado, 21 de março de 2015

neverending


Inside of a bursting chest, relentless in defiance
nothing less and still so much at each new look, 


of each minute of me doing, of each inch of me being 
there she stands vitorious, ruthless ruller of all the rest, 
majestic being, candid plaisure of my seeing.

each of the new and all I ever took
again and again uncontrolable, again better than the one before, 
always unable of ending... neverending wishes for more.

domingo, 8 de março de 2015


Tomas água, bebes Luz…
E da substância de Tua essência
Se produz tudo o que mais seduz.

Podes tanto que és muito
Saibas que tamanho poder
só pode muito sendo tanto.

Miríade de enigmas, poço de forças
Em que perder vale compreender
E compreender é perdição de querer.

Numa constância sem permanência ante um fluorescente de ânsias iluminado
Reluzente por entre a tranquilidade existente num epicentro por ti criado
de turbilhão avassalador se de verdade empregado, se de amor impregnado.

Saibas das doses sábias a empregar e da congruência
Com que se revertem tais feitiços em acalmia
para que se alcance com uns pós de magia a suprema alquimia

Mulher és tu e aquilo quiseres serás,
Pois enquanto teu uso dá fruto bom,
os melhores de Nós serão por Vós,
pois apreciar o belo é mais porque não é dívida ou tão pouco fraqueza
mas simplesmente proeza do criado em nós.

Cuidado criado e de que somos obrigados, bem gratos pelo deleite de tais cuidados

Que permitem ver numa flor o que certamente por amor, se deu o nome de Mulher. 

King Ruderic

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Musa


Apenas... e mil açucenas chovem nas arenas
Onde acabaria comigo, contigo... fazendo do fogo
domado a ponte para o tudo tocado num jogo
tão inacabado como um filme de cenas esvaziado.

Apenas onde rimar o tu com o eu que em voltas e reviravoltas,
Quer tanto ser teu, que perplexo, ante o complexo reflexo do desejo
Que aparece sem aparente nexo e é manifestado à minha frente
fazendo sentir... algo latente, tão potente que já não pede, obriga.

Refreio, primeiro inteiro, o devaneio que se apodera de mim,
Enfim, não é fácil adivinhar o que nunca vi assim,
Ignorante, já fervilho do calor e mesmo certo do que não vejo
Peço indicação ao indicador c’o sentido no q’almejo.

Se sei seguro a violenta ternura com que quero essa loucura, 
que sem mais e agora, fará dia da noite escura para nós dois, depois, sermos
dois sóis a quem a lua castiga e não perdoa, fazendo de ti amanhã brilhante
e de mim agonizante ontem dessa boa noite boa, que me faz querer ficar à toa.

Com mais um passo e a tua certeza,
Sentirás o doce sangue vertido nessas arenas
cravejadas das açucenas onde deitarás teu corpo nu
e onde no corropio e reviravolta da exclamação: Apenas tu!
Me entrego à mais sublime revolta de tudo o que por ser livre, se solta.


quarta-feira, 17 de julho de 2013

"Em vez de correr atrás das borboletas, cultiva o teu jardim", diz-se

"Instead of chacing butterflies, take care of your garden", some say

Half a million steps after the gardening starts and with lots of butterflies on the way, he finds this one with its fire colors iluminating the end of a great day.

After so many attempts to capture its color and essence using the camera full set of specs and utilities, the agility of the camera man, the multiplicity and velocity offered by the camera once again and the patience of trying to find the perfect moment, all of them were frustrated one after the other. The enchantment was offered to his eyes, even displayed with overwhelming luxury in small stops as if posing with intent. Still, when he moved a single muscle intending anything but appreciate, the butterfly flew, not allowing his venture of capture to be successfull.  
 
He was so tired of one more day cultivating - and what a great day it has been - that his abillity of understanding what was going on was certainly diminished.

Deluded by the beauty of those vibrating and passionate colors, designed in unique and idyllic impressions in a pair of enormous wings, even for a butterfly, he was completelly unaware of the invisible and impossible barrier that the butterfly was facing on her point of view.

The barrier was so easy for him to break and it would be so easy to explain to the beautifull butterfly how to do it, but it was impossible for her to understand him.


A plan was set in motion. Stop being selfish, start empatizing, get your camera out of this picture and start envolving her (it is now a she the butterfly) without restraining, leave space for her to get free, wanting and simply free her from the dellusion that's keeping her restrained.


Lot's of tension and several attempts asking for her trust, resisting the temptation of simply grabing her and probably cause damage to her fragility, eventually she stopped and landed on the palm of his hand. Slowly they're good to go towards her freedom.

Three steps after and it has already been a success. 

The butterfly felt instead of earing and was calm on her sadlle.

He advances trough the hall and after three meters a very nice lady he met minutes before stands up from her cabine and shouts:
"How rare! Precious."

They've continued walking.

After arriving outside, he thought, she'll know it is a good time to fly.

But she didn't. Quiet and still she was keeping the ride to the out side.  


Now it was he who said: 

"Beatifull!"

Being there, together, they talked about true feelings taking the trust he got from her as a start, the important stages and challenges he faced and the conversation lasted a pair of minutes ...



At this stage he was already asking her again to spread her wings and show him the beauty that captured his attention, forseeing the arrival of the roads of the city with its cars and noise that for sure wouldn't allow the butterfly to keep being there.

Spreading the wings?! No way.
Not even with the hand swinging the butterfly towards and backwards defying her balance to be compensated by the oppening of the wings.

Eventhough so vulnerable as she probably ever was in its butterfly existence, she didn't move a single bit. 



A road had to be crossed now.


Traffic, a hundred steps ahead until the destination chosen by him to let the butterfly keep on living her dream as that seemed to be the mission he got from her.

In that walk after his surprise in her not getting away and the acquired serenity associated to the beautifull grasping of her bit of his hand all the time without moving, she started to compliment him with the truth of his feelings, the prospect of having opened the doors of the most beautifull master pieces, the settlement of having the right retribution for the trully given trust being something really worthy only when it has to be worthy and that everything would be allright from that point on, because that's the way it should be.

In a moment, surprised, he stops holding the camera in shooting position and in a split of a second, as if knowing exactly when to do it, the butterfly spreads her wings once again and a show of orange dashing fresh flames, dotted with hazelnuts and brown strings that seemed to articulate her wings takes place as she goes away, flying.

It was right here that she flew and he kept on going.
Curious story for the way, he thought...






terça-feira, 16 de julho de 2013

Em vez de correr atrás das borboletas, cultiva o teu jardim

"Em vez de correr atrás das borboletas, cultiva o teu jardim", diz-se

Meio milhão de passos do cultivo depois e com muitas borboletas a dourar o caminho, encontra esta cujas cores fogosas iluminavam o final de um dia especial.

 Após dezenas de tentativas de capturar as suas cores e essência utilizando a panóplia de recursos da máquina fotográfica, a rapidez e agilidade do fotógrafo, a multiplicidade e velocidade oferecidas pelas funcionalidades da máquina de serviço, a paciência de tentar encontrar o momento certo... estas eram frustradas uma após outra. Aos olhos o encanto era oferecido, até exibido em paragens como que feitas para posar e mostrar a luxúria do seu deslumbrante manancial de encanto. Mas mal fosse mexido um músculo por ele para fazer algo mais que apreciar, esvoaçava, impedindo o sucesso da ventura de captura.
 
O cansaço de mais um avanço significativo no cultivo do jardim - enorme até - devia estar a toldar-lhe a capacidade de perceber o que se estava a passar.
Iludido por toda aquela beleza e cores vibrantes e apaixonantes, desenhadas em impressões idílicas numas asas enormes, mesmo para borboleta, passou-lhe despercebido que tentava libertar-se da barreira invisível e intransponível ao seu entendimento com que se deparava.

Essa para ele era tão fácil de vencer que podendo explicar-lhe, seria fácil ajudar. Mas não podia porque a borboleta não compreendia.

Abandonado o egoísmo e alcançada a empatia, arrumam-se os instrumentos de fotografia planeando como tocar-lhe sem magoar, engenhosamente envolvendo-a sem lhe prender e deixando espaço para que se solte, querendo, enquanto o plano dá lugar à acção de a libertar.

Após alguma tensão e várias tentativas pedindo até que confiasse, resistindo à tentação de a agarrar e provavelmente magoar, ela lá pousou na mão e vagarosamente seguimos rumo à liberdade. 

Passados três passos já tinha corrido bem. 

A borboleta não ouviu, mas sentiu e dali mais não saiu.

Ele seguiu e após três metros, uma mulher deveras simpática levanta-se e boquiaberta exclama:
"Que raro! Lindo."

Continuaram a caminhar.

Ele pensava que depois de lhe dar ar, saberia que era o momento de voar.

Mas não voou e por ali foi ficando, calmamente usando a mão feita seu tapete voador. 


 Agora era ele que dizia: 

"Lindo!"

Conversaram sobre sentimentos verdadeiros a partir da confiança que ela lhe deu, as etapas importantes e os desafios associados para ele durante uns minutos ...


Por esta altura ele já lhe pedia que abrisse as suas asas e lhe mostrasse aquelas cores que a ele capturaram a atenção, antevendo a breve chegada dos caminhos da civilização que com carros e barulho não permitiriam certamente que a borboleta por ali continuasse.

Ela a isso não acedia de maneira nenhuma mesmo com a mão a propor uma dança de equilíbrios para que se usasse das suas asas, mas por ali se ficava, tranquila na palma da mão que a segurava e tão vulnerável quanto provavelmente nunca teria estado na sua existência de borboleta.


Tinham de vencer uma estrada.


O trânsito e mais uma centena de metros até chegar ao destino por ele escolhido para que o sonho da borboleta continuasse a ser vivido já que ela lhe tinha conferido essa missão.

Nesse caminho após a surpresa dele em ela não fugir e a tranquilidade associada à bela borboleta manter-se por perto, esta foi transmitindo na sua vez estar ali para elogiar a verdade dos sentimentos, abrir as portas das mais belas obras-primas , assegurar que a confiança dada de verdade é agradecida com a retribuição adequada só quando vale a pena e que tudo correria bem, daí em diante porque era assim que tinha de ser.

Momentaneamente ele parou de segurar a máquina fotográfica e num ápice, como que sabendo escolher o momento mais uma vez, a borboleta abriu as suas asas de novo, num espectáculo de chamas frescas cor de laranja, sarapintadas por avelãs e rasgos castanhos a articular como que um leque que estruturava aquelas asas "enormes" de rebordo escuro.

Foi aqui que nesse momento que ela voou e ele seguiu.
Curioso momento para uma história... pensava ele... a seguir.