Se um dia fores minha
para toda a nossa vida
Serei, mais que teu, teu
património,
Arcanjo alado defensor
de qualquer demónio
que te aflija, em braços
que sem ordenares
Comandarás por direito
enquanto te apertam no peito
Que marcará firme o
ritmo que embalará o teu em qualquer noite tranquila.
O mesmo ritmo que
desenfreado por ti, te fará voar
Conferindo assim significado
ao chamado de alado.
Vais reclamar e vais
ganhar, vais-me enlouquecer e vais perder,
Vais comigo aprender o
conceito de matrimónio,
Sem rosas no mar salgado
destinado a nos temperar pois alimento seremos,
Famintos um do outro em
fome incessante a matar.
Tudo isso e o que mais vier,
sob condição incondicional de que entre nós dois,
Sejas a última a morrer,
já que o teu fôlego derradeiro,
Não partindo eu antes,
será da minha morte o primeiro.
Se fosses minha por um
ano,
maiores que as de
anos iguais
tal ano teria (pois) quatro
estações banais
mas ainda assim mais
belas que as demais,
tão cheias de si e de
tudo o que nelas é
que transbordantes sobrariam
nossas emoções fenomenais
reveladas primeiro num
simples beijo entregue ao teu nariz gelado
num passeio de Inverno onde
carregados de agasalhos pesados
protegemos corpos
ansiosos por um fogo que nos deixe suados.
O semblante do teu olhar
diante da Primavera radiante,
Vencida nossa
espera do primeiro dia a ver o mar
Com a brisa acariciando
o corpo que escolhes de novo esconder
Debaixo de vestido ou
saia que farei por tirar daí… dessa praia
Connosco inflamados pelo
astro maior
Que trocará o que nos dá
de graça pela que em nós é toda tua
E com ela fará mais belas por conta dele,
mil delas ou como mil
delas, apenas uma.
Flor ou cria será, mulher (ou homem) bronzeará
do par formado pelo meu amor
e tua beleza,
levando-nos pelos ventos
e mares, como sua divinal proeza.
No Verão… bem… no Verão
seremos tão que te parecerei não ser são
sem demência, mas por apaixonada insistência
De mandos incandescentes
de desejos prementes, ardentes,
Como bons dias dados em
dias assim, quentes e contigo ao pé de mim.
No Verão não faremos
poesia, mas sim magia,
vibrantes constantes
da matemática,
Cara e coroa da
numismática,
pegados até aos confins da biologia,
Despreocupados com as temáticas que virão em catadupa
Inspiradas pelas horas passadas dia após dia,
Tornando inesquecíveis os
lugares, frutuosos nossos pomares,
Cheios de ouro os lagares
e tudo o novo a descobrir.
No Outono virá chuva e uva que comemos e beberemos,
enroscados a ouvir a primeira, misturados um no outro com o vinho
Que por tua causa farei
com que se sinta sozinho,
Deixado com o som dos blues
Que tocam enquanto teu
corpo jaz
algures debaixo do que o
meu faz.
Com ele, pronúncio de
fim, enquanto o ano é desalento
Porque se fores minha
por tal montante de tempo,
com o cair das folhas
virá tristeza, feita melancólica rudeza
de ter antever o tempo que vem.
Mas do primeiro dia ao
minuto final e talvez até para sempre,
amanhã teu serei, sempre um pouco como tu sempre serás minha.
Prontos para cindir a
bem o que de outro modo é sem sentido,
Ou quiçá tomar
partido de esquecer partir e esperar par'assistir,
Enregelados de novo nos
nossos agasalhos pesados ao florir da vida que com novo ano há-de vir.
Sempre em frente que é o
Caminho, incondicionalmente condicionados
pela condição de termos
sido enamorados.
Se fosses minha por uma
estação, pegava-te ao de leve na mão
fazia-te segredo, meu
prazer egoísta, deleite surrealista
De fazer do Inverno
Verão, do Outono Primavera e de fazer num dia magia
Multiplicando os beijos e
paixão, sentidos e alegria, sabores, fervores e fruição
Montanhas de sim e
minúsculos grãos de não,
tudo nosso, tudo o que
vejo,
tudo que sou,
tudo o que posso.
Se fosses minha por um
mês, tudo o que vem de montante e virá a jusante,
Se transformará em
azáfama organizada
do que quero de ti, dou
de mim e se faz com tempo.
estarei louco por ti, nem muito nem pouco.
Volto ao tempo organizado
por osso d’ofício,
Nesse mês em que serias
minha,
será para te ouvir,
conhecer e carinhosamente antever
a hora do próximo dia de
te ter.
A cada possibilidade, um
desdobrar do que sem te dizer,
será sondando os ecos da
tua intimidade.
Outubro ou Dezembro…
Janeiro ou Março…
Maio ou Agosto… talvez
mesmo Julho, sei lá.
O que sei é que em
Novembro não
e em Fevereiro então…
fora de questão.
Pois desse mês só, desse
mês em que fosses minha,
a condição única seria
ele ter nem menos um só dia…
Nesta cadência com que
te digo bomdia
Chego ao momento em que
diria
Se fosses minha por um
dia,
Seria um dia especial,
tipo natal, sem igual.
Tinha era mesmo de ter
véspera, como o tal,
para poder ser em
qualquer dia, quando se quiser,
Exactamente assim, diz
quem te quer.
Véspera para pensar no
amanhã porque sem ele, ideia vã, nada sã
Viral que corrói o
que até sendo sem o compromisso do depois,
pode ser tão mais e tão
melhor a dois.
Vai por mim quando te
amo dizendo que não me meto nisso,
não te tocando com um só
dedo, incondicionalmente sem medo
Porque a incondicional
condição de não estragar
assim obriga a não matar
o tempo que vem amanhã,
para que na manhã
seguinte sejas tão só a radiante detentora de ti mais bela…
eu de mim maior e ambos
sem dono, de nós senhores-mor.
Se fosses minha por um só dia, sem te saber ou advinhar,
não te quereria estranha
depois,
confundindo teu valor
com entranha
ou meu clamor com
patranha.
Paixão, volúpia e uma
dança que rodopia solta e a granel …
Tumulto cheio de ânsias
por tudo que serias num só dia.
No fim tomaria a tua
mão, para te dizer o que fosse no coração
E saberias tudo, na
hora, acaso dissesse eu nada
porque nesse silêncio demorado, já só te penso minha amanhã.
porque nesse silêncio demorado, já só te penso minha amanhã.
Se fosses minha por uma
hora… que fosse agora!
Se fosses minha por um
momento, ia atrás desse pensamento...

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